terça-feira, 10 de setembro de 2013

Administradores em Enfase

Nos anos 1930 – em meio a tensões políticas que reconfiguraram as estruturas de poder e levaram à presidência da República o gaúcho Getúlio Vargas – o Brasil vivenciou uma importante fase de transformação na sua base econômica, que pode ser considerada a grande (e tardia) revolução industrial tupiniquim.

Com amplos investimentos na indústria de base e de energia, megaestatais do naipe de Petrobrás, Vale do Rio Doce e Chesf ganharam vida. Nesse passo, caía a dependência dos importados e começava a ganhar corpo a indústria nacional, gerando o aumento da demanda por mão de obra nas cidades e fazendo emergir uma nova figura, responsável por gerenciar o trabalho: o administrador.

Nas décadas seguintes, a função ganhou força e, no furor da aceleração econômica impulsionada pelo desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek, os profissionais com formação específica na área já eram disputados pelas empresas que buscavam a modernização dos seus métodos.

Com a criação da Escola de Administração de Empresas de São Paulo na Fundação Getúlio Vargas (Eaesp/FGV), em 1954, e da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP), em 1956, a área ganhou maior notoriedade e influência, culminando, mais tarde, em duas conquistas históricas: a regulamentação da profissão e a fixação do currículo mínimo para os cursos de graduação, respectivamente, em 1965 e 1966.

Ao longo desse caminho, apesar dos muitos problemas que ainda tem de superar, o Brasil também evoluiu e está hoje na vanguarda do desenvolvimento. E, para esse crescimento que enche os olhos do mundo, sem dúvidas, o trabalho dos administradores tem feito a diferença.

Diante das novas demandas e desafios apresentados pelos mercados cotidianamente, o papel de conduzir uma equipe de maneira produtiva e sustentável – com um olhar atento a todos os aspectos que cercam e integram um empreendimento – é cada vez mais indispensável.

É com esse espírito que alguns administradores têm se destacado, chamando atenção com práticas diferenciadas e dando suas contribuições para o desenvolvimento das organizações, dos seus profissionais, das suas próprias carreiras e, consequentemente, do Brasil.

Foi pelas mãos de administradores desse time, por exemplo, que uma pequena loja de variedades do interior de São Paulo se tornou um dos maiores grupos varejistas do Brasil – e referência em políticas corporativas para mulheres; um pequeno empreendimento fundado no Ceará se expandiu para todos os estados do país e uma empresa de aviação imprimiu um novo conceito ao setor ajudando a iniciar uma nova era das viagens aéreas no país.

Nesse mês, em que comemoramos o Dia do Administrador, decidimos trazer para vocês algumas dessas histórias de sucesso, de administradores que empreendem, transformam e inspiram. Nas próximas páginas você vai conferir como Luiza Helena Trajano, Deusmar Queirós, Roberto Justus, Gustavo Cerbasi e David Neeleman tornaram-se exemplos para profissionais dos mais diversos segmentos, administrando com sucesso negócios que conquistaram o respeito e a admiração dos brasileiros.

Roberto Justus | CEO da Newcomm e apresentador de TV



Visionário, carismático, extremamente competente no que faz – e também muito polêmico. Ao mesmo tempo em que desperta críticas, ele tem conquistado fãs e inspirado profissionais. Filho de imigrantes húngaros, Roberto Luiz Justus – ao contrário do que muitos pensam – não se formou em Publicidade, mas em Administração de Empresas, pela Universidade Mackenzie.

Deu os primeiros passos na vida profissional atuando em negócios da família, mas, em 1981, os deixou de lado para seguir seu próprio caminho no mercado publicitário. Como sócio da Fischer & Justus Comunicações S. A., cuidou das áreas de Administração e Finanças da empresa, liderando um processo de prospecção de clientes que já em 1982 lhes rendeu um grande cliente: a Calvin Klein.

Ao fundir-se com a Young & Rubicam (Y&R) dando origem à Fischer, Justus, Young & Rubicam, a empresa já era uma das principais do mercado brasileiro, tendo assumido posição de vanguarda na adoção de novos modelos como a integração das áreas de publicidade, comunicação corporativa e marketing. Em 1986, veio o reconhecimento, com trabalhos vencedores e finalistas nos principais prêmios do Brasil e do mundo, como os festivais de Cannes e Nova York.

Com o Grupo Newcomm – que fundou em 1998 – Justus associou-se à holding britânica WPP e passou a ser sócio do maior conglomerado de comunicação do mundo, responsável por quatro empresas no Brasil: Y&R, Wunderman, Energy e Ação.

Essa trajetória de sucesso, por si, já seria suficiente para inspirar muita gente. Mas, provavelmente, ela não teria ficado tão conhecida e Justus não teria conquistado tantos admiradores se não tivesse ido para a TV.

Como apresentador do programa “O Aprendiz” na TV Record, o empresário ganhou fama com seu estilo durão de comandar equipes, que lhe rendeu críticas, mas também muitos elogios. No ano passado, foi eleito o publicitário mais confiável do Brasil e o líder mais admirado pelos jovens brasileiros.

“O marketing pessoal dele encanta as pessoas. Mas não é só isso. Roberto Justus é extremamente competente, inteligente e carismático, e tudo isso faz dele essa figura tão admirada”, destaca o consultor Christian Barbosa, amigo de Justus, com quem chegou a ensaiar uma sociedade.

E, de acordo com Christian, o fato de Justus estar no topo da lista dos líderes mais admirados pelos jovens não é gratuito. “Ele reúne várias características que o fazem se identificar com a geração Y. É empreendedor, prático e tem iniciativa, vai lá e resolve. Embora não pertença a ela, Roberto Justus é a própria Geração Y”, ressalta.

Luiza Helena Trajano | Presidente do Grupo Magazine Luiza



Nascida em Franca, no interior de São Paulo, aos 12 anos Luiza resolveu abdicar das férias escolares para trabalhar na loja da família. Depois dessa primeira experiência, a menina tomou tanto gosto pelos negócios que resolveu repeti-la nos anos seguintes.

Em alguns anos, ela já fazia parte oficialmente dos quadros da empresa, onde chegou a ocupar praticamente todas as funções, da cobrança à presidência, cargo que assumiu em 2008, momento em que intensificou seu processo de expansão com ações ousadas, como a inauguração simultânea de 44 lojas na Grande São Paulo.

Formada em Administração e Direito, Luiza Helena Trajano foi eleita no ano passado pela AmericaEconomia uma das 10 executivas mais poderosas da América Latina. Mas poder não é uma palavra à qual ela tem procurado se associar à frente do Magazine Luiza – que se tornou um dos principais grupos varejistas do Brasil, tendo entre suas principais marcas a descentralização na tomada de decisões e a valorização permanente dos colaboradores, com destaque para as políticas de apoio às mulheres empregadas na rede.

Conhecida por valorizar o olho no olho na relação com suas equipes, Luiza Trajano também tem se aproximado dos clientes pelas redes sociais. “Eu gosto muito do contato direto com o consumidor por meio das redes sociais, como faço aqui no Twitter”, disse em seu perfil na rede de microblogs.
Foi pelo Twitter, inclusive, que ela confirmou ter recebido da presidente Dilma Rousseff o convite para assumir o comando da futura Secretaria da Micro e Pequena Empresa, cargo que – até o fechamento desta edição – ainda não havia definido se aceitaria ou não. “Ainda não decidi e pedi um tempo à presidenta, pois estou estudando com muito carinho. Incentivar o desenvolvimento da micro e pequena empresa sempre foi minha missão pessoal”, disse Luiza.

Já com o Youtube, a empresária tem encontrado uma maneira de chegar a todos os seus funcionários – até mesmo aqueles que tentaram uma vaga no Magazine Luiza e não conseguiram. Em um vídeo direcionado aos participantes de um dos processos seletivos da rede em São Paulo, por exemplo, Luiza agradece o interesse dos inscritos e os aconselha, deixando uma mensagem que resume bem os motivos pelos quais ela é uma administradora que inspira: “o que as pessoas que hoje estão dando certo têm de tão diferente de outras que deram certo no passado? Antigamente, a gente mostrava um currículo e tão anos de trabalho numa empresa eram importantes. Hoje, a gente sabe que isso não é. Primeiro, independente de tudo, a gente precisa dar resultado. E, nessa era, a gente só dá resultado se souber lidar com as pessoas”.

David Neeleman | Sócio-fundador da Azul Linhas Aéreas



Brasileiro descendente de holandeses, David G. Neeleman nasceu e viveu em São Paulo até se mudar com os pais para os Estados Unidos, quando tinha apenas cinco anos. Aos dezoito, voltou ao Brasil como missionário mórmon para uma temporada no interior de Paraíba e Pernambuco que, de acordo com ele, lhe abriu os olhos para uma realidade que ainda não conhecia do seu país de origem. Pouco depois, voltou à América do Norte decidido a, um dia, retornar aos trópicos e fazer negócios por aqui.

Em 2008, o projeto tornou-se realidade. Com bases estabelecidas em Barueri-SP, a Azul Linhas Aéreas iniciou suas operações e trouxe ao Brasil a proposta de aviação de baixo custo. “A Azul surgiu para oferecer preços mais baixos do que uma tarifa de ônibus e, assim, promover a inclusão da nova classe média no transporte aéreo”, afirma Neeleman.

“Queremos sempre que nossa malha ofereça aos nossos clientes acesso a locais que são pouco servidos pelo serviço aéreo, pois temos na nossa visão o objetivo de fazer das viagens aéreas algo mais acessível, humano, fácil e econômico”, afirma Neeleman.

Desde 2012, a Azul prepara sua fusão com a Trip.

Gustavo Cerbasi | escritor, professor e consultor financeiro



Diferentemente dos demais administradores apresentados aqui, Gustavo Petrasunas Cerbasi não é presidente de nenhuma mega companhia. Seu grande negócio é ele mesmo. Formado em Administração Pública pela FGV, sua carreira engrenou mesmo quando decidiu enveredar pela área de finanças, que – curiosamente – era a que ele menos gostava durante o curso.

“Quando me formei, um amigo me chamou para auxiliá-lo preparando laudos de avaliação de empresas em uma consultoria financeira. Inesperadamente, aquilo foi o grande marco da minha carreira. Depois, passei a me dedicar à área, comecei a prestar consultorias, dar aulas e logo me tornei palestrante”, destaca Cerbasi.

Após uma temporada no Canadá – quando se afastou das aulas no Brasil – o então consultor financeiro tomou a decisão de escrever um livro, no qual pudesse compartilhar de forma simples e direta aquilo que aprendeu sobre finanças até então. Mesmo criticado por colegas da academia, que não aceitavam que ele tratasse o conhecimento de maneira “tão rasa”, Cerbasi tocou o desafio e o resultado foi um sucesso de vendas.

“O argumento dos meus superiores da área acadêmica era de que, com toda a bagagem que tinha, não poderia vender conhecimento de forma tão popularesca, quase como auto-ajuda. Mas toquei o projeto com a consciência de que um pouco do conhecimento que eu passava para os alunos de um MBA por 30 ou 50 mil reais poderia chegar a outras pessoas por pouco dinheiro”, destaca Cerbasi.
Depois do primeiro livro, “Dinheiro – os segredos de quem tem”, vários outros vieram e se tornaram best-sellers, levando o autor, em 2009, à concorrida lista dos 100 homens mais influentes do ano da revista Época.

O grande segredo desse sucesso, de acordo com o próprio Cerbasi, foi sua capacidade de identificar oportunidades e aceitar as mudanças. “Quando meu amigo me chamou para trabalhar no projeto de consultoria, eu estava prestes a tentar um concurso da Receita Federal e, muito provavelmente, eu passaria, pois havia me dedicado bastante àquilo. Na verdade, eu tinha a impressão de que seguiria carreira no serviço público”, destaca.

Mais adiante, optou por mudar novamente e se afastar da rigidez acadêmica e se dedicar aos livros, às palestras e às consultorias. Para fazer isso, entretanto, precisava de dinheiro para se manter até as coisas engrenarem de vez. Mas isso não foi problema para o homem que, mais tarde, se tornou um dos maiores especialistas em finanças pessoais do país.

“Eu não estava feliz com minha carreira. Como professor iniciante, eu só pegava aulas que não me interessavam. Então, a minha receita de sucesso foi fazer poupança no menor tempo possível, para poder escolher com o que trabalhar”, explica Cerbasi.

E ele deixa a dica: “aquelas pessoas que estão felizes com suas carreiras, não tenham pressa de se aposentar. Trabalhem até os 70! Já quem está infeliz, poupe, invista, junte dinheiro para que possa escolher com o que trabalhar”.

Deusmar Queirós | presidente da rede de farmácias Pague Menos



Nordestino do município de Amontada, interior do Ceará, Deusmar Queirós foi cedo para a capital Fortaleza, onde cursou a faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas e fundou a primeira loja da rede Pague Menos. De lá até aqui foi um percurso longo e difícil, mas de grandes conquistas.
Ainda nos anos 1980, adotou o modelo de drugstore, ampliando a gama de produtos oferecidos nas lojas da sua rede, passando a vender – além de medicamentos – artigos de beleza e higiene. Em seguida, implementou o primeiro modelo de autosserviço em farmácias do Nordeste, dispondo as gôndolas dos novos produtos fora dos balcões. Também de forma pioneira, iniciou a prestação de serviço de correspondente bancário dentro das lojas para recebimento de contas de luz, água e telefone.

Nos anos 1990, a fase foi de expansão, colhendo os resultados das ações de sucesso desenvolvidas na década anterior. No início dos anos 2000, a rede já contava com 200 lojas. Hoje são 446, em 150 cidades espalhadas por todos os estados do Brasil, com mais de 11 mil funcionários e um faturamento que superou os R$ 2 bilhões em 2010.

No quesito responsabilidade social, Deusmar tem implementado na Pague Menos, desde 1985, diversas iniciativas, como seus programas de doação de ambulâncias e cadeiras de rodas. Em 1998, a empresa foi a primeira nordestina a adotar um município no programa social Alfabetização Solidária. Cinco anos mais tarde, firmou parceria com a Unicef e deu início ao Infância Feliz Pague Menos, que contribui para a educação de crianças de baixa renda por meio da doação de livros a bibliotecas comunitárias.

Outro ponto chave é o relacionamento com as equipes de colaboradores, que tem resultado em um índice de turnover anual baixíssimo (2% em 2010). De acordo com dados oficiais da companhia, 3% dos funcionários a acompanham desde sua fundação, em 1981, 10% atuam na rede há mais de dez anos e a média geral é de 6,5 anos de casa. “Desde o início, embasamos nosso modelo de negócio no tripé Inovação, Conveniência e Cidadania”, destaca Deusmar. E ele complementa: “Procuramos crescer passo a passo, mas sem deixar de nos reinventar continuamente”.



Fomos ao Facebook e ao Twitter perguntar aos nossos fãs e seguidores o que eles esperam de um administrador que lhes inspira. Veja o que eles pensam:

Facebook

Livia Rodrigues - Postura de administrador, que tenha uma relação humana de confiança e credibilidade acima de tudo com seus colaboradores.

Luis Paulo - O administrador tem que ter clareza e firmeza no que faz e diz, tem que mostrar o correto para quem errou e parabenizar aquele que concluiu com êxito o que lhe foi pedido, ouvir e receber o que sua equipe tem a dizer, além de jamais se colocar acima deles, mas sempre ao lado, porque um muro não é feito apenas de um tijolo.

Oton Cabral - O administrador deve ser ético, ter visão e liderança para guiar seus companheiros ao melhor resultado possível. Ser um grande coordenador de esforços.

Patrick William - Hoje o administrador deve ter uma postura voltada para um crescimento sustentável, pois, por meio dessa postura, ele atingirá as bases econômicas, sociais e ambientais de uma empresa. Com essa visão, ele irá inspirar não somente os profissionais, mas as organizações.

Simone Farah - Um líder que demonstre com seus próprios atos aquilo que prega aos seguidores.

Twitter

rafamktblu - Uma pessoa ética, de bem com a vida, que sabe ouvir e dar feedback. Alguém à frente do seu tempo, que busca melhorar sempre.

JervisFilho - Não é o administrador perfeito, mas aquele que, quando erra, se arrepende, reconhece perante os liderados. Esse homem sim é exemplar.

_Leanddro - Ser carismático, saber ser líder e ser um exemplo de resiliência.

Jizabely - Liderança, motivação, flexibilidade e saber que a melhor ferramenta que ele tem são as pessoas.

FabianaMedeyros - Gostar do que faz, envolvendo planejamento, organização, controle e execução.

admadonai - Atitudes que levam o liderado a crescer e querer ser igual ou melhor do que o líder: sabe se relacionar; autocrítica; humildade.

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